Minhas considerações pessoais sobre o tempo…

Carta aberta a um leitor:

Prezado Luiz,
Dizem os físicos que no nosso Universo o tempo é contínuo.

Uma vez ligadas duas épocas elas passariam a ser uma só e portanto passado.

O passado é imutável.

Seguindo-se um raciocínio básico lógico, a mudança de fatos no passado deve ser impossível, uma vez que o que motivaria a tentativa de mudança deixaria de existir se o passado for mudado.

E, se a motivação para a mudança deixar de existir, a tentativa de mudança também deixará de existir e, portanto, não terá ocorrido, em consequência nada terá mudado…

Voltamos ao ponto inicial…

Mas digamos que o passado seja mudado… Isso provocará um rompimento no contínuo do tempo.

O rompimento com o contínuo do tempo pode provocar a existência de um Universo paralelo… imagina as implicações disso?

A quantidade de energia dispendida na criação de um novo universo, ou uma nova versão… isso provoca outra impossibilidade, essa energia para a criação de uma nova versão sairia de onde?

Isso poderia destruir nosso universo para criar sua nova versão… O Universo e tudo o que há nele, não apenas as nossas casas ou o nosso planeta.

E mais, com implicações éticas profundas… pois uma outra versão pode deixar outras pessoas sofrendo e com perdas iguais ou superiores à sua, seria um dos custos de uma nova versão com a destruição da linha original do tempo.

E para quê?

Agora imaginemos um Multiverso, universos paralelos e versões infinitas onde cada possibilidade de cada acontecimento pode ter ocorrido dentro das escolhas possíveis para cada ser no universo: animal, vegetal ou mineral…

Se esta opção for verdadeira, do Multiverso, a questão mais possível e menos dispendiosa não seria viajar ou se comunicar no tempo, mas procurar a versão na qual você gostaria de viver…

Isso causa outra implicação ética: nessa outra versão existe um você que já vive nela e, com toda certeza, imagino, não poderão viver dois de você na mesma versão sem perda de massa para a versão abandonada e sem ganho de massa que desequilibraria essa sua versão preferida.

E aí eu pergunto:
Qual dos dois “você” você deseja que tenha a vida que você queria e qual dos dois, você pretende que tenha uma vida infeliz? Isso seria justo com a sua versão feliz? Isso já não poderia ter acontecido?

Em uma outra possibilidade nós já vivemos nesse multiverso e a versão já é individualizada, ou seja, você já vive a sua versão do mundo e eu vivo a minha e, a direção dos acontecimentos para o futuro seria uma resultante das forças dos desejos individuais e coletivos, ou seja, a ação e os desejos de cada indivíduo interagem físicamente e influenciam a coletividade e os resultados de força são os fatos que vivenciamos diariamente.

Ou seja, os resultados dos acontecimentos passados já nos movimentaram para o agora e estão agindo para que o nosso futuro seja construído.

Mas, ainda assim, desejamos ter contato com o passado, ou contato com pessoas do futuro e queremos que isso seja possível, muito bem… se houver contato, para que o contínuo do tempo não seja destruído, transformamos o futuro em passado, a comunicação já ocorreu e cairemos no que chamamos de “determinismo” no sentido clássico do termo e com ele, o futuro também já estaria definido…

No entanto, nossa mente é plástica, nossas memórias são falhas, nossos registros são incompletos e isso nos garante uma certa liberdade do determinismo enquanto houver falha nos registros.

Assim, se nos comunicarmos com o passado, não seremos levados a sério ou não seremos lembrados, o que impediriam as mudanças no tempo, mas o registro das comunicações pode existir e ser descoberto e confirmado postumamente.

Se viajarmos ao passado será apenas como observadores imateriais, pois não podemos mudar a rota de, sequer, um átomo, nem deixarmos qualquer átomo para trás sob a pena de construirmos uma catástrofe de proporções universais.

Cuidado com o que desejas, você pode conseguí-lo.

 

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Contatos com o passado – Contextos.

Enviar informações ao passado não é nenhuma novidade, se faz isso desde que o acelerador de prótons, em um túnel de 27 km, começou a funcionar em 1959, há quase 104 anos. Começou-se tentando enviar informações por ondas de rádio aceleradas no PS (Próton Syncrotron). Na época era impossível saber para onde e quando as transmissões estavam sendo enviadas, mas os cientistas ficavam atentos aos possíveis resultados, buscando confirmações sobre determinada mensagem enviada.

Primeira aceleração de partículas no CERN

1959 - Primeira aceleração de partículas no CERN demonstrada à comunidade científica.

Obviamente esse experimento era totalmente secreto, uma vez que as possíveis conseqüências ainda eram completamente imprevisíveis, e todo experimento desse tipo era controlado por militares. Quando foram abertas as caixas de relatórios, depois da crise de San Andreas, obteve-se acesso às informações coletadas desde aqueles dias iniciais.

De 1959 a 1976 os resultados com as ondas de rádio foram surpreendentes. Mensagens curtas criptografadas foram enviadas para bases navais norte americanas, com ordem de serem armazenadas e seladas para serem enviadas para um endereço de postagem classificada e abertas apenas 50 anos depois. A intensidade da irradiação, a velocidade de aceleração das partículas e o comprimento de onda puderam auxiliar os pesquisadores a definir para quando e para onde a mensagem teria sido enviada, os registros selados e armazenados comprovaram o que foi enviado e quando. Pouparei aos leitores a matemática envolvida nesse processo.

A dificuldade da época foi descobrir aonde havia parado o que foi perdido, mas as mensagens não poderiam ser abertas e compreendidas por quem não tivesse participando do experimento. Os relatos dos pesquisadores demonstram que o trabalho foi lento e difícil, mas acabou por começarem a aparecer os resultados. Aprendeu-se como alinhar a emissão e a controlar o local e a distância no tempo desta maneira.

Em 1976 entrou em operação o SPS (Super Próton Syncrotron), deste ano até 2012 passaram a enviar sinais de TV em Preto e Branco. Surgiram alguns relatos em jornais pequenos do interior dos Estados Unidos e da Inglaterra, de 1950 a 1965 que falavam de pessoas que haviam dormido com a TV ligada e acordaram no meio da noite vendo imagens e sons estranhos, com mensagens e até histórias completas que haviam sido enviadas por um pesquisador mais ousado.

Super Proton Syncrotron

Super Proton Syncrotron

Sabemos de pelo menos 3 escritores de ficção científica que receberam essas mensagens e as lançaram em livros que fizeram grande sucesso nas décadas de 1970 em diante. Outros relatos foram considerados como sendo de gente louca ou de bêbados que haviam dormido com a TV ligada.

Com as transmissões em microondas aceleradas no período de 1996 a 2012 descobriu-se um novo modo de se enviar mensagens ao passado e um efeito biológico bastante comum que era atribuído à doenças mentais e esquizofrenia. Lamentavelmente era um efeito que não se podia controlar para quem enviar, já que não são todos nós, humanos, que conseguimos sintonizar em banda alfa. Algumas dessas mensagens chegaram a alcançar pessoas que, ligadas às artes, ao cinema e à religião desenvolveram histórias e mitos que são contados até os dias de hoje.

De 2012 a 2021 há um hiato nessas pesquisas, já que um grupo importante de pesquisadores do CERN desapareceu em pleno vôo durante uma tempestade elétrica quando iam apresentar algumas de suas pesquisas em um congresso na Califórnia. A entidade ficou sem grande parte de seu contingente humano de pesquisa TC (de Time communication) e a pesquisa não evoluiu nesse período.

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Dificuldade linguística nos contatos com o passado

É interessante o contato com o passado. As experiências demonstram que as mensagens chegam aos destinatários dos t-mail. Nossa dificuldade é fazê-los responder ou reagir de alguma forma que explicite que eles receberam e entenderam as nossas mensagens vindas do futuro.

Somos organizados em 10 grupos de pesquisadores-t-mailers e cada grupo tem total liberdade para contactar por t-mail com pessoas específicas da internet do período pré-crise de San Andreas (1996-2026). Foram escolhidos 50 usuários de peso desse período, gente escolhida por ter vida ativa na internet em redes sociais, grupos de discussão, blogs, jornais online e influência política/econômica e que passava conectado por mais de 12 horas por dia.

Cada grupo de pesquisa é constituído de 1 doutor, 2 mestres e 6 orientandos sendo 2 orientandos de doutorado e 4 de mestrado. Sou o lider do  grupo Brasil 1996-2016. Aqui no t-lab temos representantes das oito maiores nações desnvolvidas por aqui a saber: Brasil, China, Ibéria, Índia, Novo Irã, Tibete, Austrália e Coréia Unificada.

Normalmente escolhemos, para tentar contacto, pessoas de nosso país materno, pois há mais facilidade para todos por causa do conhecimento histórico e cultural do nosso país de origem. Não se trata apenas das questões da língua, pois, o que chamamos hoje de “Língua Portuguesa” é absolutamente diferente do que se falava no final do século XX.

A diferença linguística é uma grande dificuldade para nós pesquisadores, pois os brasileiros do século XX usavam muitos anglicismos incorporados à língua que atualmente não fazem o menor sentido. Muitos destes alglicismos são oriundos de uso indevido de termos técnicos de procedimentos tecnológicos e de nomes de equipamentos que não existem mais.

Atualmente, todos sabem, o inglês é uma língua falada apenas no meio acadêmico e em pequenos grupos culturais históricos daqueles 4 países pequenos da América do Norte que se chamam Dakota-Iowa, New York, Grand Central Ilinois e Free Kentucky e na Europa, a Velha Inglaterra países constituídos depois da crise de San Andreas.

Para quem não sabe, a língua inglesa é parecida com decadente Googlish escrito, não falado. Gostaria de explicar aos leitores deste blog científico, que a Língua Portuguesa não era a língua dominante no início do século XXI. Na época, um país de língua predominantemente anglo-hispanhola na América do Norte, tinha grande poder econômico e militar sobre o mundo. Esse poder foi perdido depois de uma sequência de terremotos devastou seu extremo oeste e o estado do México do Norte,  indo parar no fundo do mar o coração de sua indústria de comunicações e suas principais universidades e centros de pesquisa.

Em conjunto com esses terremotos, furações arrasaram o sul do país e tsunamis completaram a destruição da costa norte da América do Sul e os estados que margeavam o Golfo do México, chamado agora de Mar do Pananá que liga o Ocenano Atlântico ao Pacífico.

Essa sequência de fatos mudou completamente a geografia física, cultural e econômica do planeta. Esse período cataclísmico foi denominado como Crise de San Andreas, e ocorreu de 2026 a 2042 matando 300 milhões de pessoas na área e deixou o dobro disso desabrigadas e sem condições mínimas para sobrevivência.

Auxílio humanitário foram constantes durante esse longo período de catástrofes naturais e partiram dos países mais desenvolvidos e estáveis economicamente como o Brasil, a China, a Índia e a África Unificada com alimentos, medicamentos e voluntários militares e civis.

A base lunar norte americana, em operações desde 2021 foi reduzida drasticamente em 2026 por falta de verba e finalmente vendida a um conglomerado Indo-Brasileiro em 2032, sendo desativada dez anos depois por tornar-se obsoleta e sem interesse econômico imediato. Suspeita-se que a compra foi apenas para justificar o repasse de tecnologias e como parte do pagamento em atraso pelos recursos dispendidos com o auxílio humanitário.

Minha primeira mensagem por t-mail foi enviada para 1996

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A experiência com o t-mail

Eu trabalho no CERN há 4 anos, desde 2059, quando finalizei meu pós-doutoramento em física quântica.É um lugar sossegado e sem quaisquer emoções, as particulas circulam, os burocratas nos controlam e sim, um bom lugar para se trabalhar se você curte pesquisa científica como eu.

O lugar já é um pouco antigo, mas foi onde consegui bolsa de pesquisa e depois emprego como pesquisador júnior… eu pesquiso o envio de pacotes de comunicação através do acelerador de partículas para a Internet no século XX.

Imaginamos que seja possível estabelecer uma comunicação por t-mail (como eu chamo o e-mail que viaja no tempo) com alguém do passado. Para confirmar se o pacote de comunicação foi entregue fazemos uma pesquisa histórica de dados através da Etéria buscando os dados marcados com partículas radioativas.

A Etéria nasceu aqui no CERN, em 2045, quando esse equipamento se tornou obsoleto para a pesquisa básica e foi comprado por uma empresa brasileira de comunicação que dominou o mercado da antiga Internet em 2042 depois de incorporar a Google na crise de San Andreas.

Já fizemos muitos progressos, os dados viajam no tempo através do acelerador de partículas, isso já foi demonstrado antes por Mark e Souza (2036). Agora estamos tentando estabelecer uma comunicação real com algum usuário da internet do século XX ou início do nosso século.

Os pacotes de dados são acelerados para entrar em uma espécie de tunel do tempo

Aparentemente ainda não conseguimos por razões culturais. Os usuários da antiga Internet rejeitam as mensagens que enviamos como se elas fossem “pegadinhas” ou “piadas”. Ao mesmo tempo nossa dificuldade é uma questão ética, já que não podemos revelar às pessoas do passado quanto aos acontecimentos do presente sob a pena de termos nosso tempo alterado ou mesmo favorecermos alguém com riquezas injustas.

Alguns pesquisadores, como eu, acreditam que nada muda o presente ou o passado e que este contato só será possível se esbelecermos um contato de “presente” entre nós e alguém do passado. Mas nada disso possui qualquer comprovação empírica até o momento.

Continuaremos tentando estabelecer contato. Este blog registrará essas experiências.

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